Tecnologia e segurança no Brasil: como sensores, telemetria e IA previnem acidentes e protegem o patrimônio
A segurança no trabalho com apoio da tecnologia tem acelerado uma transformação importante na forma como as empresas lidam com o risco no Brasil. O alerta se justifica pelos números: dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho mostram que o país já acumulou mais de 8,8 milhões de acidentes entre 2012 e 2024, e o Ministério do Trabalho e Emprego registrou, apenas no primeiro semestre de 2025, cerca de 380 mil ocorrências e aproximadamente 1,7 mil mortes relacionadas a atividades profissionais. Os dados evidenciam fragilidades na gestão de diferentes setores e reforçam a necessidade de estratégias mais estruturadas, que combinem cultura organizacional, processos e tecnologia.
Ferramentas digitais vêm ganhando protagonismo como aliadas da prevenção. Telemetria veicular, sensores IoT, câmeras com inteligência artificial, monitoramento remoto e plataformas de análise de dados ajudam a identificar padrões de risco, corrigir comportamentos inseguros e antecipar situações críticas antes que se tornem acidentes graves. Com sensores conectados, é possível acompanhar em tempo real o funcionamento de máquinas e as condições operacionais e ambientais, disparando alertas automáticos sempre que algo foge do padrão e garantindo uma resposta imediata.
A grande mudança está no perfil da gestão. Se antes as melhorias só aconteciam depois de um acidente ou de uma fiscalização, hoje a tendência é investir em sistemas capazes de prever riscos a partir de evidências. Como explica Paulo Buriti, gerente corporativo da Corpvs Segurança, a consolidação de dados operacionais ao longo do tempo revela padrões que não seriam perceptíveis no dia a dia, mostrando quais atividades apresentam maior probabilidade de falhas e transformando informações em decisões preventivas. A telemetria ilustra bem esse ganho, ao monitorar o comportamento de veículos, equipamentos e operadores por fatores como velocidade, frenagem, tempo de uso e padrões de condução, o que permite corrigir práticas inseguras com base concreta.
As mesmas soluções conectam áreas que antes atuavam de forma isolada. Plataformas integradas permitem registrar ocorrências, acompanhar indicadores e documentar ações preventivas de forma estruturada, fortalecendo a governança, facilitando o cumprimento das normas e ampliando a rastreabilidade da gestão. Esse movimento já avança também no campo: o aumento dos crimes em propriedades rurais, com alta de 37,5% no roubo e furto de máquinas agrícolas e de 22,8% nos crimes envolvendo pick-ups no primeiro semestre de 2025, tem impulsionado a adoção de monitoramento, sensores e rastreamento que protegem o patrimônio e geram eficiência operacional. Um exemplo é a parceria entre a Corpvs e a Avine, que com telemetria e inteligência artificial alcançou redução de 31,6% nas perdas e economia de mais de R$ 800 mil em combustível.
O avanço dessas soluções indica que a proteção tende a se tornar cada vez mais orientada por dados, tanto nas empresas quanto no agronegócio. Em meio a operações complexas e pressão por produtividade, prever riscos deixa de ser apenas uma vantagem e passa a ser um diferencial competitivo. Como resume Buriti, ao usar tecnologia para enxergar ameaças com mais clareza, a empresa transforma a segurança em parte da estratégia do negócio, protegendo pessoas e tornando as operações mais eficientes.
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